Eis o meu espanto quando, a meio das minhas pesquisas no Pinterest me deparo com esta imagem:
Não é propriamente sabido por estes lados, mas se há coisas que me fascinam, duas delas são o design e a publicidade vintage e os produtos portugueses com História e histórias para contar. Percebe-se a minha alegria quando esta imagem, que é uma espécie de guia para prendinhas giras, surge através de um
pin da família
Sycamore Street Press, de origem indubitavelmente americana.
Quanto ao Benamôr, que se mantém fiel à sua fórmula original, é um "adorável produto de beleza que transmite à pele um encantador tom de frescura" e que anuncia a eliminação de tudo o quanto são rugas, borbulhas e manchas.
O registo da marca, levado a cabo por um farmacêutico (também ele o primeiro dono dos Laboratórios Nobre, que mais tarde dariam origem à Fábrica Nally - Campo Grande), data 1928. A Fábrica Nally produziu uma vasta gama de cremes e perfumes de fama notável e com clientes à altura, como foi o caso da Rainha D. Amélia ou mesmo de Salazar. A popularidade destes cosméticos deu-lhes, até, direito a menções em comédias portuguesas dos anos 40, como "O Pai Tirano".
Alantoíne, para as mãos, surge mais tarde, com o seu característico aroma de citronela, numa embalagem verde pistachio. Juntamente com o Creme Gordo da mesma Fábrica preenche os três grandes
must try da marca.
A verdade é que, desde a altura em que era novidade até aos dias de hoje, a boa fama deste e dos restantes cremes Nally, tem passado de geração em geração.
Quanto à sua comercialização, que toda a gente adooora dizer que é quase nula, tanto acontece em mercearias e drogarias de bairro como nos próprios hipermercados. E, obviamente, nas antigas (tradicionais ou reaproveitadas) lojas da Baixa; mas aí o preço é um pouco mais de turista.
O que importa é que não só este "velhinho" é vendido nos Estados Unidos, como é amado, tal como cá em Portugal acontece. Por isso, fico feliz por ele :)