“[...]
– A cor, a luz e o som alteram-se apenas porque nos
unimos. – disse N. após ele lhe ter mostrado a mensagem. – Mas não é só isso. Os
nossos sentimentos trasmutam-se. Eles evoluem sempre que fundimos as nossas almas
um pouco mais.
– E se chegar o dia em que essa união não seja possível? –
perguntou-lhe E. – Tenho medo.
– Não tenhas. Nesse dia seremos apenas um, nada tens por que
temer. – Embora não tivesse querido deixá-lo sem resposta, aquela pergunta
tinha esmagado o seu corpo. Faltava-lhe confiança. Ainda lhe faltava confiança. Para N., o não acreditar piamente em
algo, era o mesmo que dar essa tarefa por impossível e inconcretizável. Ela mantinha
sempre um pé atrás, mas acreditava na vida. Já para E., esse confiar não era assim tão simples. N.
sabia que não podia ficar chateada por isso. Preferiu sorrir-lhe, passar a mão
pelo seu grosso cabelo, num singelo gesto de carinho, e continuar a viagem. [...]”

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