"Não sei se vou ter tempo para escrever mais cartas; por
isso, se esta acabar por ser a última carta, quero que saibas que eu estava num
lugar muito mau antes [disto], e tu ajudaste-me. Mesmo que não soubesses ao que
me estava a referir, nem conhecesses alguém que já tivesse passado pelo mesmo, fizeste-me
não sentir sozinho. Porque, eu sei que há pessoas que dizem que todas estas
coisas não acontecem. Há pessoas que se esquecem do que é ter 16 anos, quando
fazem 17. Sei que um dia isto tudo não passará de histórias e que as nossas
fotografias não passarão de velhos retratos e que todos nós nos tornaremos pais
de alguém.
Mas agora, nesta altura, estes momentos não são histórias!
Isto está a acontecer. Eu estou aqui, e estou a olhar para isso mesmo. E é tão
bonito! Consigo vê-lo. Este momento único, em que sabes que não és uma triste
história. E que estás vivo. E levantas-te e vês as luzes nos edifícios e tudo o
que questionas... E estás a ouvir aquela música, naquela estrada, com as
pessoas que mais adoras neste mundo. E neste momento, eu juro, nós somos infinitos."
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